domingo, 23 de maio de 2010
e foi num poema
Sei das cores que alguns dias trazem
Foi esse grito que me abriu a certeza que
nenhum universo se compara a uma fração
do inexplicável que é você
Ahh! se todos se conhecessem através dos olhos de um poema
Como seria?
Há uma música que anjos sussurram aos meus ouvidos
e essa música é você
Para mim, não importa oferendas de sentimentos fantasmas compulsórios
Quero a entrega de enormes ondas do mais longínquo e profundo
Oceano a reverberar em suas zonas abissais, em seus lugares
ainda inexplorados.
E nos seus mistérios distantes...
Quero a paz da segurança de um olhar entregue ao amor.
sábado, 1 de maio de 2010
._
soletra em uníssono um pulso
entrelábios euqidistantes
um cessar noturno
domingo, 25 de abril de 2010
O HOMEM COM A CAMERA

CINEASTA: DZIGA VERTOV
GÊNERO: DOCUMENTAL
Kino-pravda (Cinema-verdade) foi dirigido e produzido por David Kaufman Abelevich, nascido em uma família judia de intelectuais em Białystok, na Polónia. Kaufman adotou o nome de Dziga Vertov (DZIGA - palavra ucraniana que significa roda que gira sem cessar; e VERTOV - do russo vertet que significa rodar, girar) aos 19 anos, mais ou menos por essa idade Vertov estudava música, medicina e escrevia poemas.
Após o discurso em que Lenin considera o cinema como o principal meio de divulgação da nova ordem social que se instala na União Soviética, Vertov se põe à disposição do Kino Komittet de Moscou (1918) tornando-se redator e montador do primeiro cine-jornal de atualidades do Estado Soviético, o Kinonedelia (Cinema Semana). Em 1922, junto com sua mulher Svilova e seu irmão Mijail (câmera), Vertov cria o "Conselho dos Três", se denominando kinors (composto das palavras russas kino + oko: cinema-olho). A partir daí dão início ao projeto Kino-Pravda, produzindo 23 "capítulos" desse projeto, nele descreve os consequentes da Revolução Russa.
É interessante o fato deste movimento cujo nome deriva de "documentário" estar ao lado de estilos como Hollywood, Nouvelle Vague e Neo-Realismo. O sucesso deste documentário deveu-se à forma honesta como o realizador representou o povo Russo sem recurso a efeitos especiais ou pós-produções complexas. A partir do filme criou-se o conceito de “film-truth”: tentar captar fragmentos da atualidade que quando estruturados permitissem mostrar um significado mais profundo.
domingo, 18 de abril de 2010
Penso no segundo ausente das conversas banais e aparentemente sem proveito como o aprisionamento repleto do que há de mais humano, mais unido e mais eterno. Andar e sorrir, pensar e ouvir, cantar e olhar, sentir e beijar, falar e respeitar, construir e agradecer. São pares de atitudes, pares de virtudes, pares de coisas que não devem jamais desenlaçar-se nesse caminho torto e estranho que o mundo nos impôs desde o início dos tempos. E para nossa inquietação, é um caminho que nunca se endireitará, para que possamos sempre nos sentirmos impelidos pela trêfega vontade de torná-lo ao menos um caminho bom e prazeroso de se seguir. Eu vejo meus amigos como a materialização da beleza que fez nascer todas as coisas.
É bela a justiça e até a maldade, belo o prazer e a vingança, há mesmo beleza na caridade e até no egoísmo. Não faço, desta forma, apologia alguma a qualquer desses eventos, não cometeria tal loucura. O que tento expressar com estas poucas linhas e quase sem efeito é a nossa luta infinita com anjos e demônios atormentando nosso espírito, prestes a nos fazer sucumbir a um abismo sem cor alguma. E essa batalha é que nos forma, nos distancia, nos escolhe, nos faz humanos feitos de carne, ossos e sentimento vivo, como se um turbilhão que faz girar os corpos no espaço penetrasse pelos poros mínimos da nossa camada orgânica e nos imbuísse da potência inexorável que se chama sobrevivência. Amigos, a palavra dos séculos é a beleza, e a da eternidade é o amor. A dádiva suprema que desta duas palavras se formou passou então, a chamar-se VIDA.
terça-feira, 23 de março de 2010
06/05
No canto duro do meu peito
precisei cravar fundo ao lado direito
Uma vez pronta
Passei a fazer monta
da circuntâncias
em que você aparece
Nas audiências
toda atenção está
nessa sua raiz
Que aos poucos me ocupa
Numa constante de ondas doces
num reverberar de calmas frases
Assim me encontro na
Sólida sintonia
de tão bela companhia!!
sábado, 29 de agosto de 2009
Ser
Lá fora, uma neblina fina consumia toda atmosfera, o céu estava encoberto por nuvens negras e carregadas, tudo parecia normal para uma triste noite de inverno. Mais adiante, um grito ensurdecedor estronda no ar gélido da madrugada. No apartamento 716, Artur acorda encharcado de suor, suas mãos estavam frias e trêmulas, seu coração batia descontroladamente, podia até sentir o sangue fluir em suas veias. Estava realmente assustado, já era a quinta vez no mesmo mês. Ainda deitado, permaneceu imóvel durante algumas horas, fitando o teto, tentando acreditar que tudo aquilo não passara de um sonho. Quando se deu conta, já era tarde, as horas já tinham sido evaporadas e toda sua força usurpada. Não conseguia nem ao menos se mexer. Tão logo, vultos estranhos se formavam diante de seus olhos, figuras estranhas surgiam misteriosamente no canto entre as paredes. Tomado por uma onda de terror e um sopro de epifânia, levantou depressa, atormentado. Em largas passadas dirigiu-se ao banheiro fracamente iluminado pelas frestas de luz vindas do corredor, ligou a torneira e durante um longo período, mirou-se em frente ao espelho, não via nada, a não ser a silhueta de um rosto fantasmagórico ofuscado pela ebriedade da vida. Era, como se estivesse para sempre, condenado a vagar e não existir.
By Bored Girrrl
