sábado, 29 de agosto de 2009

Ser

Lá fora, uma neblina fina consumia toda atmosfera, o céu estava encoberto por nuvens negras e carregadas, tudo parecia normal para uma triste noite de inverno. Mais adiante, um grito ensurdecedor estronda no ar gélido da madrugada. No apartamento 716, Artur acorda encharcado de suor, suas mãos estavam frias e trêmulas, seu coração batia descontroladamente, podia até sentir o sangue fluir em suas veias. Estava realmente assustado, já era a quinta vez no mesmo mês. Ainda deitado, permaneceu imóvel durante algumas horas, fitando o teto, tentando acreditar que tudo aquilo não passara de um sonho. Quando se deu conta, já era tarde, as horas já tinham sido evaporadas e toda sua força usurpada. Não conseguia nem ao menos se mexer. Tão logo, vultos estranhos se formavam diante de seus olhos, figuras estranhas surgiam misteriosamente no canto entre as paredes. Tomado por uma onda de terror e um sopro de epifânia, levantou depressa, atormentado. Em largas passadas dirigiu-se ao banheiro fracamente iluminado pelas frestas de luz vindas do corredor, ligou a torneira e durante um longo período, mirou-se em frente ao espelho, não via nada, a não ser a silhueta de um rosto fantasmagórico ofuscado pela ebriedade da vida. Era, como se estivesse para sempre, condenado a vagar e não existir.


By Bored Girrrl

domingo, 28 de junho de 2009


Não importa esse sonho que se expande
ou esse temor pulsionante que verbera
minha calma correntada
que me mantem
viva e atenta
neste único
pedaço do fim...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

If you go i will surely die




Hey
been trying to meet you
hey
must be a devil between us
or whores in my head
whores at my door
whores in my bed
but hey
where
have you
been if you go i will surely die
we're chained

uh said the man to the lady
uh said the lady to the man she adored
and the whores like a choir
go uh all night
and mary ain't you tired of this
uh
is
the
sound
that the mother makes when the baby breaks
we're chained

terça-feira, 23 de junho de 2009

Insisto um passo a mais no chão pernicioso do meu dia. Acredito nas coisas importantes e também nas que são fúteis, pois tudo o que nos move faz parte do equilíbrio permanente entre o essencial e o supérfluo. Não quero atenção de rostos sérios e que dêem importância apenas aos ditos "valores fundamentais" da vida, quero também arrancar risos, gargalhadas e gemidos de quem amo, de quem convivo, de quem não canso de ouvir mil vezes a mesma história.
Penso no segundo ausente das conversas banais e aparentemente sem proveito como o aprisionamento repleto do que há de mais humano, mais unido e mais eterno. Andar e sorrir, pensar e ouvir, cantar e olhar, sentir e beijar, falar e respeitar, construir e agradecer. São pares de atitudes, pares de virtudes, pares de coisas que não devem jamais desenlaçar-se nesse caminho torto e estranho que o mundo nos impôs desde o início dos tempos. E para nossa inquietação, é um caminho que nunca se endireitará, para que possamos sempre nos sentirmos impelidos pela trêfega vontade de torná-lo ao menos um caminho bom e prazeroso de se seguir. Eu vejo meus amigos como a materialização da beleza que fez nascer todas as coisas.
É bela a justiça e até a maldade, belo o prazer e a vingança, há mesmo beleza na caridade e até no egoísmo. Não faço, desta forma, apologia alguma a qualquer desses eventos, não cometeria tal loucura. O que tento expressar com estas poucas linhas e quase sem efeito é a nossa luta infinita com anjos e demônios atormentando nosso espírito, prestes a nos fazer sucumbir a um abismo sem cor alguma. E essa batalha é que nos forma, nos distancia, nos escolhe, nos faz humanos feitos de carne, ossos e sentimento vivo, como se um turbilhão que faz girar os corpos no espaço penetrasse pelos poros mínimos da nossa camada orgânica e nos imbuísse da potência inexorável que se chama sobrevivência. Amigos, a palavra dos séculos é a beleza, e a da eternidade é o amor. A dádiva suprema que desta duas palavras se formou passou então, a chamar-se VIDA.

by Bored Girl

quinta-feira, 4 de junho de 2009

LIBERTE-SE


Vamos pintar com as cores vivas de nossa bandeira, desprendo-se das coisas fúteis que nos foram empurradas pelo mundo fantástico em que vivemos, onde o Lobo mau se esconde na TV de nossas casas e nos cerca pelas rádios, prestes a nos devorar, caso sejamos fracos a ponto de nos deixarmos iludir pelos seus dentes e garras afiados, seguidos por um par de olhos grandes e orelhas pontudas. E sem se importar com pensamentos ou opiniões alheias, vamos dançar até perder o fôlego junto ao ritmo suave da música que nos toca a alma. Não venho aqui fazer apologia a nada, com essas palavras soltas e desajustadas, nem tão pouco dizer para que se viva cada momento de suas vidas, como se fosse o último, muito menos o primeiro. Certamente aqueles que vêem e sabem ler nas entrelinhas entenderão o que eu digo, e absorverão a real intenção dessa mensagem. Não quero atenção de rostos sérios voltados às concepções morais movidas pelo “politicamente correto”, que nem ao menos sabem e entendem o real significado da palavra “vida”.


by Bored Girl

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tempo Perdido

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...

Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...

Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!...

Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...

Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...

Tão Jovens! Tão Jovens!...

terça-feira, 10 de março de 2009

MULHERES QUE FIZERAM A DIFERENÇA

Semana passada, comemoramos o dia Internacional da Mulher, então, não posso deixar de falar sobre as mulheres no qual me inspiro e admiro. Mulheres corajosas, Mulheres ousadas, Mulheres decididas, Mulheres que amaram, Mulheres que lutaram em seu tempo e espaço, em busca da inserção feminina na sociedade.


Simone Beavouir


Escritora francesa e feminista, Simone De Beauvoir nasceu a 9 de janeiro de 1908, e faleceu a 14 de abril de 1986, em Paris. Participante do grupo de escritores filósofos que deram uma transcrição literária dos temas do Existencialismo, ela é conhecida primeiramente por seu tratado Le Deuxième Sexe (1949 - O Segundo Sexo), um apelo intelectual e apaixonado pela abolição do que ela chamou o mito do "eterno feminino". Esta notável obra tornou-se um clássico da literatura feminista. Fonte: (http://www.cobra.pages.nom.br/ft-beauvoir.html).




Virgínia Woolf

A escritora Virginia Woolf evoca desde logo a essência da tragédia. Sentindo-se incapaz de controlar a vida, preferiu a morte, afogando-se num rio com os bolsos repletos de pedras. E no entanto, aparentemente, ela desfrutava das condições que considerava essenciais para uma mulher se afirmar como escritora, advogadas no seu ensaio “Um Quarto que seja Seu” – dispor de espaço, físico e psicológico e de dinheiro suficiente para se bastar a si própria. Inserindo-se na impressionante cadeia de mulheres inglesas, nascidas a partir de 1800, que produziram literatura, a obra desta escritora é sempre classificada como sendo das mais inovadoras e estimulantes, quer entre as mulheres autoras, quer entre o conjunto dos criadores de ambos os sexos. Reconhecida em vida, apoiada pelo seu marido, igualmente escritor, Leonard Woolf, Virginia produziu nove romances, duas biografias, sete volumes de ensaios, vinte e seis cadernos de diários e um sem número de cartas. Nasceu numa família que estimulou os seus talentos mas teria sido objecto, na infância, de abuso sexual por parte dos seus meio-irmãos mais velhos. Estas circunstâncias, aliadas a lutos familiares (a mãe morreu quando ela tinha 13 anos) e aos horrores de duas guerras mundiais, têm servido aos seus numerosos biógrafos e estudiosos para explicar as muitas depressões de que sofreu e as tentativas de suicídio que realizou até ao encontro definitivo com a morte. Os violentos tratamentos médicos a que foi submetida num hospício para “mulheres loucas”, que passavam por absoluto isolamento, proibição de qualquer actividade, incluindo a leitura e a escrita, com o conluio bem intencionado de seu marido e irmã, também teriam tido efeitos nefastos. Seu marido decidiu no início do casamento, aparentemente harmonioso, que ela não tinha resistência para ser mãe, o que Virginia Woolf sentiu como uma fragilização da sua identidade. Neste quadro se situam as suas reflexões sobre a condição feminina publicadas em 1929, onde nos conduz eruditamente de ideia em ideia, com lógica, com aparente leveza, com ironia. Inventa uma irmã para Shakespeare, a qual nunca poderia Ter sido escritora pelo mero facto de ser mulher. Verbaliza com 50 anos de antecedência muitas das questões retomadas no final do século XX e até ao presente. Fonte: (http://www.leme.pt/biografias/reinounido/letras/virginia.html).


Sylvia Plath


A fama de Sylvia Plath como escritora está irremediavelmente ligada à repercussão do seu suicídio. Os poemas mais conhecidos estão no livro Ariel, publicado dois anos depois de sua morte

e foram, na maioria, escritos nos seus últimos meses de vida. Durante o final da década de 50, Sylvia Plath era considerada uma escritora completa, porém alternativa, vivendo à sombra do talento do marido, o poeta inglês Ted Hughes. Escreveu um romance angustiado, The bell jar (1963), publicado sob pseudônimo, dias antes de morrer. Poucos, com certeza, teriam adivinhado que seria capaz de produzir poemas de tamanha força como os últimos que escreveu, combinando desespero enfurecido e altíssimo nível técnico literário.
Seus poemas são atormentados e profundamente inteligentes. Por expressar raiva e dirigi-los praticamente contra os homens, como em Daddy (Papaizinho), Plath foi canonizada pelas feministas durante as décadas de 70 e 80, que usaram indevidamente sua obra para suscitar polêmicas. Quando esse fanatismo passou, pôde-se perceber que sua poesia era realmente única, dotada de um misterioso jorro de eloquência poética. Fonte: (http://br.geocities.com/edterranova/sylvia2.htm)


OS MANEQUINS DE MUNIQUE

A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.
Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero

Onde os teixos inflam como hidras,
A árvore da vida e a árvore da vida.

Desprendendo suas luas, mês após mês,
sem nenhum objetivo.

O jorro de sangue é o jorro do amor,
O sacrifício absoluto.

Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu
Eu e você.

Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus
sorrisos

Esses manequins se inclinam esta noite
Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,

Nus e carecas em seus casacos de pele,
Pirulitos de laranja com hastes de prata

Insuportáveis, sem cérebro.
A neve pinga seus pedaços de escuridão.

Ninguém por perto. Nos hotéis
Mãos vão abrir portas e deixar

Sapatos no chão para uma mão de graxa
Onde dedos largos vão entrar amanhã.

Ah, essas domésticas janelas,
As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,

Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.
E nos ganchos, os telefones pretos

Cintilando
Cintilando e digerindo

A mudez. A neve não tem voz.




Florbela Espanca


Batizada Flor Bela Lobo, Florbela Espanca foi uma das primeiras feministas de Portugal e escreveu uma poesia carregada de erotismo e feminilidade, que alguns críticos encaram como um dom-juanismo no feminino. O sofrimento, a solidão, o desencanto, aliados a imensa ternura e a um desejo de felicidade são a temática presente em muitas das suas imagens e poemas.

Parte de sua inspiração veio de sua vida tumultuada, inquieta, e sofrimentos íntimos provocados pela rejeição paterna. Seu primeiro poema foi escrito em 1903: "A Vida e a Morte". (http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u439.jhtm)




Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!